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O 'capítulo Barcelona' foi encerrado em dezembro de 2006.
Agora, esta jornalista-blogueira que vos fala está em Pequim, do outro lado do planeta. E as notícias à la "Ciudadana Mundana" estão sendo postadas no blog DIRETO DA CHINA, hospedado no site da Revista Viagem e Turismo, da Editora Abril. Apareça por lá!
(clique na imagem pra acessar o novo blog)
Escrito por Juliana Vale às 04:20 AM
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Pluralismo politicamente correto
ALÁ E MAOMÉ CHEGAM À SALA DE AULA
Em tempos de imigração e mestiçagem, os espanhóis resolveram adotar um approach bem mais tolerante que os vizinhos franceses (que proibiram todo e qualquer símbolo religioso – como véu ou crucifixo – nas escolas). Lançaram ontem por aqui o primeiro livro de religião islâmica para alunos de primária.
Se tem demanda, por que não oferta pra todos os credos?
Mas nem sinal de capítulos sobre a submissão da mulher ao homem, o direito deles à poligamia, a lógica da “guerra santa”, dos homens-bomba, nem outras polêmicas deste naipe. Politicamente correto (demais?), o tal livrinho – intitulado “Descubrir el Islam” (Descobrir o islamismo) – ensina às crianças muçulmanas que vivem aqui coisas como os movimentos da ablução (ritual de purificação antes de rezar), o que é o Corão (o livro sagrado), quem é Alá (o único deus) ou Maomé (seu único profeta). Através de desenhos em quadrinhos, explica ainda os grandes pilares do islamismo: a crença absoluta em Alá, as cinco orações do dia, o jejum no mês do Ramadã, a esmola aos mais pobres e a peregrinação à Meca. Um mundo totalmente à parte.
Em tempo e a propósito: Sabe que, na Espanha, os marroquinos são o coletivo de imigrantes mais numerosos? Representam nada menos que 20% do total de estrangeiros residindo (legalmente) no país. Em cifras brutas, umas 535.000 pessoas, segundo o último censo do Instituto Nacional de Estadística (INE).
Escrito por Juliana Vale às 06:09 PM
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Geração perdida
¡POR DIOS!
O Museu Pedagógico de Arte
INfantil (MUPAI), de Madri, promoveu um concurso “Píntanos cómo
serás de mayor” (pinte a gente como seremos quando crescer) entre 1.800
crianças espanholas. Cada um enviou seu desenho e...
Adivinha!
A maioria esmagadora das meninas sonha em ser a
princesa Letizia e os meninos, o piloto espanhol, Fernando
Alonso, atual líder da Fórmula 1.
Pouca
criatividade. Ninguém quer ser cientista, espiã(o) internacional,
astronauta, Premio Nobel, salvador de baleias? Valeria até criminalista do
C.S.I., dançarina go-go, hacker - ou cracker,
inclusive. Mas princesa?! Campeão esportivo?!

Como diria Elis Regina, “ainda somos os mesmos
e vivemos como nossos pais”. Meninas continuam querendo se casar com príncipes
em cavalos brancos e meninos, competir com os demais. Em qualquer parte do
mundo.
Conselho, criançada: Abram um consultório
psicológico ou uma concessionária. As princesas frustradas pagam rios de
dinheiro aos analistas pra se recuperarem da “Síndrome de Cinderela”. Já os
rapazes compram carros caros :-)
Escrito por Juliana Vale às 06:09 PM
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Ditador e designer gráfico
O INVENTOR DO PHOTOSHOP?
Franco (o ditador que governou a Espanha com mão de ferro de 1939 a 1975) deve estar se revirando na tumba. De vergonha. Ou de raiva. Se tivesse Photoshop, na época, não teria que pagar esse mico agora!
O pessoal da agência de notícias EFE – que está recuperando e digitalizando o arquivo fotográfico histórico – descobriu que o “generalísimo” trucou umas fotos em que aparecia ao lado do seu, então, admirado e caro colega, Adolf Hitler.
Por aqui é célebre esse encontro entre os dois carrascos, em 23 de outubro de 1940. Aconteceu numa estação ferroviária de Hendaya (França, fronteira com Espanha) e teria sido programado por Hitler pra pressionar o caudilho espanhol a se aliar ao Eixo no combate contra os Aliados, já que os germanos tinham acabado de dar uma mãozinha ao ditador, por estas bandas, em plena Guerra Civil. Como sabemos, Franco não cedeu aos apelos de Hitler, mas, nem por isso, deixou de ser um dos seus maiores fãs.
Razão pela qual, esse alegre dia na vida de dois ditadores acabou sendo amplamente divulgado, na ocasião, por todos os meios espanhóis. E a normalidade teria seguido seu curso não fosse pelo pequeno detalhe descoberto agora pela EFE.

Na foto original, aparece a estação de trens de Hendaya com a plataforma completamente vazia. O negativo desta imagem existe, intacto, até hoje. Na foto (retocada), ao lado, estão todos. Felizes e orgulhosos. O inconveniente histórico é que, além de não haver negativo algum, esta imagem é praticamente um material de recorte e colagem EM ALTO RELEVO, onde as figurinhas de Franco, Hitler e um militar alemão estão literalmente COLADAS em cima da primeira foto.
Processo idêntico foi usado em outra ocasião:

Reparou? Aqui também rola um claro “antes e depois”. Na foto original, Franco aparece com os olhos meio fechados, com cara de bobo. Na segunda – surprise, surprise! – o homem está muito melhor, mais altivo e altaneiro! Aliás, impressão minha ou ele até perdeu uns quilos, nesse lifting visual???
O que uma boa assessoria de imprensa não pode fazer pela imagem de alguém, né, não?! "Maravilhas" do malabarismo político.
Escrito por Juliana Vale às 11:29 AM
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Ecologia mal planejada
PERUAS DESESPERADAS
Agora mesmo há milhares de casacos-de-visom-em-potencial correndo pelos bosques da Galícia.
Ontem, alguém libertou nada menos que 17.500 visons – aqueles animaizinhos peludos, muito apreciados pela peruagem mundo afora.
Ok. Dou todo meu apoio aos ativistas ecológicos que condenam a criação de animais para a indústria da moda. Ninguém merece mesmo nascer e morrer enjaulado. Mas o pseudo libertador, neste caso, esqueceu de planejar uma “aposentadoria” mais feliz pros pobres visonzinhos. Como eram animais de cativeiro, eles não sabem viver por conta própria. A probabilidade de morrerem famintos é bem alta.
Agora me diga: Enquanto visom, você preferia morrer como um casaco, visitando Paris, Londres ou Nova York no inverno, ou como um homeless na floresta?
Escrito por Juliana Vale às 08:06 PM
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Hug
what?
ROMANCES
GLOBALIZADOS
Tínhamos
saído pra nos despedir de um amigo brasileiro que regressa à terra natal. Ele
vai, a namorada fica. Os dois, desolados, tadinhos, estavam meio melancólicos
com a perspectiva de um ano separado pela geografia. Nesse climão, uma amiga
tenta animar o casal com um consolo inédito: “Lançaram uma camiseta que
transmite abraços à distância!”. Todos se entreolham. “Ein?”. Ela continua:
“Sério! É a
hug
shirt” (camisa do
abraço). Vi na WIRED NextFest (aquela feira de
hightec, semana passada, em Nova York). Cada um põe uma camiseta e, quando
um abraça aqui o outro sente lá longe...blablabla”. Enquanto ela falava de
tecnologia bluetooth, celulares com Java e o escambau, olho pro casal
abraçadinho, esperando uma reação. Eis que ele se impacienta e quer saber: “Mas
tem underwear disso
também?”.
Escrito por Juliana Vale às 01:38 PM
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Vista por um turista
BARCELONA, BONITA E BARATA
O caderno de viagem, “Traveler” do New York Times trazia domingo uma simpática reportagem sobre Barcelona. O jornalista Matt Gross, auto-intitulado "viajante espartano", veio em maio, como enviado do jornal, com uma clara missão: montar uma “cheap weekend trip” (fim-de-semana barato) pela “capital do estilo e da gastronomia”. Gostei da definição.
   
Com um budget de 500 dólares, ele teve que abrir mão dos lugares de grife que sonhava conhecer, como o fashionable hotel-loja Casa Camper (215 €/ noite) ou o célebre restaurante de Ferrán Adrià, El Buli (onde o jantar vale módicos 165 € por cabeça). Acabou hospedado no Hostal Gat Raval (42 €/ noite), meio indignado por ter que dividir o banheiro com a rapaziada, carregar sozinho a bagagem dois lances de escada arriba e descolar sua própria toalha – artigo não incluído na diária. Mas, enfim. Era “um hostal de design, bem localizado”, pondera.
 
Caminhando pelo centro, Matt conclui que El Born está para Barcelona assim como o SoHo, para Manhattan (“cheio de butiques chichi e restaurante trendy”). E o Raval norte seria o East Village (“boemia, artistas jovens, músicos, gente bonita e estilosa, com chinelos de dedo, botas de design, vestuário vintage”). Faz sentindo.
Escrito por Juliana Vale às 09:41 AM
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No cardápio típico do turista padrão, o cara passeou pelas Ramblas, pelo Bairro Gótico, pelo mercado de La Boqueria (onde – faz questão de frisar – viu um açougueiro destroçando um porco, tomou um “cortado” (primo-irmão do “pingado” carioca: café com um pingo de leite), comeu croissant e tirou “um milhão de fotos”). Visitou o Parc Güell, a Sagrada Familia (a famosa igreja de Gaudí, eternamente em construção) e o MACBA. Foi também à praia da Barceloneta, deu um mergulho no Mediterrâneo e descolou um lugarzinho na areia bem ao lado de um trio de banhistas em top less (“Não deu pra evitar, havia tantas”).
  
À noite, saiu “de tapas” (comendo belisquete de bar em bar – como é costume na Espanha), em companhia de uns conhecidos que moram na cidade. Apesar de terem entrado no (eca!) Ovella Negra – freqüentado por 9 entre 10 turistas de passagem pela cidade –, descreveu o local com precisão: “um bar cavernoso cheio de estudantes bêbados, com cerveja a 1,20 €”. Rapidamente trocou de terreno, seguindo pelo conhecido Bar Inopia, o Irati e adjacências.
  
Foi justamente por ali, enquanto ouvia diversos idiomas ao mesmo tempo, que Matt se deu conta da verdadeira atração de Barcelona: “Não são necessariamente os museus ou os restaurantes, mas o clima animado da cidade, com gente cosmopolita, uma vida vibrante na rua”. Concordo. E ele emenda: “É uma cidade excitante, onde Paris parece encontrar-se com Miami”. Bom, Miami... Sei não. Mas um pouco de Paris, ok. Dá pra encontrar aqui.
   
E a missão de jornalista? Orgulhoso, ele diz que aprovou o fim-de-semana e ainda conservou um trocado no bolso. Calcula ter gasto exatos 341,10 €, incluindo táxis, metrô e alguns souvenires. Palmas pro rapaz.
A verdade é que Barcelona anda cada dia mais cara. Em janeiro de 2001, quando me mudei pra cá, a cidade ainda era BEM barata. Com a unificação das moedas na União Européia e o aumento do turismo estrangeiro, encareceu bastante. A corrida de táxi do aeroporto ao centro, por exemplo, antes saía por 2.100 pesetas (equivalente a uns 13€). Hoje são 20€. O jornal, antes da Eurolândia, valia “veinte duros” (aquela simpática moedinha de 100 pesetas – que equivaleria a 0,70€). Da noite pro dia, passou a custar a 1€ (166 pesetas). Um “menú del día” (clássico almoço espanhol: entrada + prato principal + sobremesa + pão + café), de modestos 6€ nos restaurantes do centro, passou a 10€ ou 12€. Jantar com vinho, de 15€/ cabeça a 25€. E por aí vai. São diferenças míseras em termos brutos (especialmente pra um brasileiro com mais de 20 anos que já viveu na Era das inflações), mas representam 30%, 50%, até 100% a mais por produtos ou serviços que não ficaram nem melhores nem maiores. Roupa, cinema, sapato, teatro, livros, transporte, mercado, hipoteca, tudo aumentou. Bom, tudo menos os salários. Outro dia, o Expansión (principal jornal de economia daqui), deu uma matéria justamente comentando que “O custo de vida subiu 3X mais que os salários”.
Mas enfim. O bolso à parte, era de turismo que estávamos falando, né?! O fato é que Barcelona continua sempre viva, interessantíssima. Vale a pena! Amo esta cidade como se fosse minha desde a infância.
PS: Quem quiser checar a matéria do Matt Gross, publicada no NY Times, clique aqui.
Escrito por Juliana Vale às 09:40 AM
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Momento publicitário
VIVA A TECNOLOGIA!
Este post é dedicado aos meus “iguais”: viajantes, expatriados, exilados políticos, fugitivos da polícia ou qualquer outro gênero de gente que mora num país diferente daquele onde nasceu e tem saudade de quem ficou por lá.
Vocês já descobriram o SkypeIn? Até seu amigo mais pão-duro vai ligar pra você, a partir de agora. Por 30 euros/ ano (cota fixa), você adquire um número de telefone na cidade onde está a maioria dos seus “seres queridos” e eles telefonam pra você, pagando a tarifa de uma ligação local. O melhor: nem eles nem você precisam ficar grudados no computador. A ligação lá pode ser feita até da rua, com o celular. Aqui (ou onde você estiver, companheiro!), tem um telefone sem-fio, que é a praticidade em pessoa. Dá pra atender suas chamadas até mergulhado(a) na banheira, se for o caso!

Nunca tinha batido tanto papo furado com meus amados de Pindorama. Uma amiga, aliás, estabeleceu uma hot line pra dúvidas em castelhano a jato. Ao invés de entrar no Google, ela liga pra cá :-)
PS: E, não. Não estou embolsando nenhum trocado pra fazer esta propaganda gratuita. Aliás, Niklas Zennström, cadê minha comissão?
Escrito por Juliana Vale às 09:36 AM
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COMENTÁRIO: Como muita coisa que chega é pessoal, não publico nenhum comentário neste blog (apesar de responder a TODOS, por e-mail!!!). Mas vou copiar o trechinho do que recebi de um primo, semana passada. É parte da conversa que ele (brasileiro) costumava ter com o avô da ex-namorada (espanhola). Abro aspas: “...Eu dizia: ‘Como pode o presidente de uma nação se chamar Calamares (Lula, em castelhano)?’ Aí, ele comentava: ‘E o nosso, que chama-se Zapatero (sapateiro, em português)!’ Pois é. Onde vamos parar?”
É, Dudu. O pessoal tá exercendo o métier errado!
Escrito por Juliana Vale às 09:07 AM
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Roubaram o presidente
CRIATIVIDADE CONTRA A POBREZA
Ontem, uns caras, auto-apelidados “4 gatos” (que significa “uns poucos”, em castelhano coloquial), colocaram na internet um vídeo, mostrando em detalhes, como eles roubavam a cadeira do mesmíssimo presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, de dentro do Congresso dos Deputados, em Madri.

Os jornalistas, pasmos, saíram correndo pra checar como os funcionários do congresso tinham dado esse mole (“roubar alguma coisa de dentro do congresso?!?!?!”). Mas os funcionários de lá, ainda mais pasmos, não entenderam nada porque – garantem – o hemiciclo estava intocado e a “cadeiríssima” continuava quietinha, no seu devido lugar.
Ué.
Começam a rever o vídeo, uma gravação amadora, meio esverdeada. O “comando” são três jovens encapuzados. Falam muitas gírias e fazem tudo na maior adrenalina, enquanto passam pela guarita, trepam num muro lateral, pulam uma das janelas do primeiro andar, atravessam os corredores do edifício e chegam à famosa sala da tribuna. Sempre incógnitos, não são flagrados por ninguém, nem por nenhuma câmera. Finalmente eles pegam a cadeira e deixam um bilhete: "Zapatero, no dia 16 de outubro em pé contra a pobreza". (já que está sem cadeira mesmo...)
A ação se parece àquelas da resistência-civil-não-violenta dos ecologistas “12 Macacos”. Especialmente pelo bilhete, com a intenção de recordar ao presidente as promessas que ele fez. Mas é aí que o pano cai. Um pouco mais de apuração e descobre-se que tudo estava vinculado à campanha da ONU “Levántate contra la Pobreza” – parte da Millennium Campaign, lançada também pelas Nações Unidas, em 2000, com a intenção de reduzir metade da pobreza no mundo, até 2015, através da mobilização cidadã.
A esse ponto, entretanto, como a curiosidade já tinha despertado a pauta, TODOS os noticiários deram a (falsa) notícia do roubo da cadeira, explicando a campanha publicitária que tava por trás. Excelente ação de marketing.
Só ficou uma pulga atrás da orelha: como as imagens são reais (porque, de fato, são: era o congresso dos deputados sem tirar nem pôr), mas ninguém de lá sabe ou viu nada que se relacione ao vídeo? Um deputado cúmplice? Um funcionário comprometido com as causas humanitárias? Ou uma equipe de publicitários extremamente competentes?
A íntegra da gravação está em www.levantatezp.blogspot.com (ou no You Tube, claro).
Escrito por Juliana Vale às 01:48 PM
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As eleições brasileiras
LULA ESTÁ NAS MANCHETES DAQUI
...E nas mesas de bar, no papo da hora do almoço, nas conversinhas quebra-gelo. As eleições presidenciais verde-e-amarelas foram O tema do dia. Ao vivo e na imprensa. Todos os noticiários espanhóis, hoje, abriram a editoria internacional com as eleições brasileiras: “Los casos de corrupción pasan factura al gobierno Lula”.

Os mesmos meios de comunicação que, em 2002, apoiavam a vitória da esquerda no Brasil – e achavam que Lula seria a grande esperança da América Latina – agora fazem eco às críticas contra a má postura dele em relação aos escândalos do “mensalão” & cia. “É o preço que se paga”, segundo El País.
Escrito por Juliana Vale às 07:23 PM
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Fim de verão em Barcelona
A HORA É AGORA, O MOMENTO É JÁ

São as últimas semanas de sandália, praia, sol até às 9 da noite, tacinha de vinho gelado na calçada, jantar a céu aberto e todos esses prazenteiros programas que surgem com pretextos climáticos: “Que dia mais lindo! Vou a pé”; “Fica pra ver o pôr-do-sol no mar...”; “Sentiu essa brisa? Vamos comer no terraço!”; “Vem pra cá: Estamos em Montjuïc, vamos ver cinema ao ar livre (parte da agenda de verão da cidade)”; “Que tal uma siesta na grama?” e “O-lha-es-se-sol! Aaaaai... Não vamos trabalhar hoje, não, vai”.
Por essas e outras, Barcelona é única. Mas, se tivesse que listar o melhor do melhor (que nem Rob Gordon, de "High Fidelity", o livro de Nick Hornby), os top 5 do verão barcelonês seriam:
1 – O humor das pessoas (impressionante como muda!)
2 – O horário de trabalho (mais curto por causa da "jornada intensiva”)
3 – A luz natural (que, em julho e agosto, dura até umas 22h30)
4 – Poder usar pouca roupa (e viajar só com uma prática carry on!!!)
5 – Viver ao ar livre (jantar, almoçar, tomar café-da-amanhã, brindar, dançar, dormir... Enfim. Como aqui não há problemas de insegurança pela rua, a programação depende só da criatividade de cada um ;-)
Escrito por Juliana Vale às 09:03 AM
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A propósito
FOFOCA: ESPORTE NACIONAL
Esta semana, o último filme do Almodóvar, “Volver”, foi escolhido pra representar a Espanha na corrida pelos Oscars de melhor estrangeiro. A história é um excelente retrato da España profunda – como os espanhóis “carinhosamente” apelidam essa Espanha que não sai nos prospectos das agências de turismo. Sabe o interiorzão de qualquer país latino, onde o cara vive entre fofocas e superstições, naquele mundinho cotidiano de preocupações prosaicas como “o que meu vizinho fez hoje?”; “por que chegou tão tarde em casa?”; “quem é aquela mulher diferente que apareceu na praça?”?
Se bem que, aqui, você nem precisa ir tão longe pra ter contato com gente viciada em vida alheia. São os próprios espanhóis que dizem: “el cotilleo es el deporte nacional” (a fofoca é o esporte nacional). Caso verídico:
Anos atrás, aqui em Barcelona, troquei o tapete (capacho) da entrada de casa por outro, muito mais simpático com um escrito "welcome" e o desenho de uma vaca estilizada. Uma graça, super acolhedor. Mas, não passou nem um dia e o porteiro do prédio (que se chama “Jesus” – de batismo!) veio me dizer que o tal tapetinho "ia criar problemas". Tô saindo do prédio, quando ele me aborda, super sério, quase solene: “Vi seu tapete novo. Acho que você vai ter que retirá-lo”.
Eu: cara de interrogação
Jesus começa: "Há uns regulamentos a seguir neste edifício. O conselho comunitário (leia-se uma junta de vizinhos desocupados) comprou todos os tapetes de todos os apartamentos iguais, há sete anos, pra que não houvesse bagunça na decoração...”
Eu, procurando a câmera oculta.
E Jesus seguia: “A única exceção (fez questão de frisar) é o capacho da senhora do 3°, 1ª, que já é muito idosa e não caminha muito bem, por isso, tropeçaria no tapete...blablablablabla... Portanto, acho que você vai ser obrigada a retirar seu tapete... Muito bonito, na minha opinião, mas, você sabe como é, acho que a vizinha do 6°, 4ª vai criar caso...”
Sabe quando você sai de órbita? Ele lá, repetindo aquela baboseira, com ares de professor de primária e eu, de repente, em outra dimensão, imaginando a tal vizinha do 6°, 4ª agarrada ao olho mágico, detrás da porta, estudando os hábitos da vizinhança. Mas, quando volto à realidade, Jesus ainda está falando: “...então, por isso, eu acho que a vizinha do 6°, 4ª vai reclamar e o seu tapete...”
Corto o bom senhor: “Jesus, diga à vizinha do 6°, 4ª que a estou convidando pra um café na minha casa. Aí, a gente senta e debate esse tema do tapete. Vou ter o maior prazer em recebê-la. Você também está convidado, aliás”.
Escrito por Juliana Vale às 02:52 PM
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Ele, irredutível: “Ah, mas ela não vai querer ir à sua casa, não. Só vai vir aqui à portaria, falar comigo. Sabe como é. Porque a legislação do condomínio não permite que qualquer um resolva ter a decoração que quer. É preciso manter a unidade estética. Da porta pra dentro, tudo bem. Mas no corredor, você precisa entender. Tem a legislação e blablablabla” – recomeça a ladainha.
Olho o relógio, vejo os minutos passando e encerro a conversa: “Olha, Jesus, então, você pede, por favor, uma cópia escrita dessa legislação do condomínio, onde dizem literalmente que isto (ter um tapete de vaca) está proibido. Quando eu voltar, estudo o texto e falamos sobre isso mais tarde”.
Ele não teve tempo de reagir. Aproveitei essa micro pausa e saí. Claro: com meu melhor sorriso na cara pra não azedar o dia.
Previa voltar pra casa e encontrar meus vizinhos fazendo piquete na portaria, com Jesus como líder sindicalista na porta, bloqueando minha passagem e berrando por um megafone: “Exigimos que você retire seu tapete” e, em coro: “Re-ti-ra! Re-ti-ra! Re-ti-ra”. Mas não. Volto e, naquele dia, nada novo aconteceu. Nem havia piquete, nem recado da vizinha, nem mais sermão de Jesus. Ele tava mansinho outra vez.
Dou o assunto por encerrado... Até alguns meses depois, quando volto de viagem e encontro um envelope pardo no meio da correspondência acumulada. Abro e: Tcharam! Uma singela cartinha da imobiliária que administra o prédio, relatando a última reunião de condomínio (aliás, parêntesis: o que é um evento desses aqui? O porteiro é convidado de honra. Todos tomam cava – a champagne catalã – e passam o tempo todo, debatendo a vida dos ausentes). A tal carta da imobiliária avisava que, “segundo consenso”, eles (os outros moradores do prédio que freqüentam reunião de condomínio) haviam “decidido” que eu “deveria” retirar meu tapete. Pode? Aqui é assim. Todo mundo se mete com todo mundo, mas ninguém diz nada às claras. As pessoas se queixam. Só que por trás, sempre. Enfim.
Já sem muita paciência pra essa saga, liguei pra OCU (equivalente ao Procom, aqui na Espanha) e expliquei meu caso ao funcionário do serviço de atendimento ao cliente. Do outro lado da linha, o cara fingia que tossia, mas dava pra perceber que ele não tava era agüentando a gargalhada. Digo: “Pode rir, moço”. Ele comenta: “É que, em 12 anos de trabalho aqui na OCU, nunca recebi uma consulta tão insólita”. Rimos os dois e eu emendei: “Olha, na verdade, não tô nem aí pro tal tapete. Mas não vou ceder aos caprichos de um bando de desocupados fofoqueiros a tôa. Quero esclarecer até onde vão minhas obrigações de condômina e onde começa a intromissão do bedelho alheio". Num espírito de camaradagem, o homem acabou me dando uma resposta oficial e outra extra-oficial.
Na primeira versão, por pura diplomacia (porque não existe nenhuma exigência legal), ele me aconselharia a seguir a “unidade estética” do prédio e evitar novos aborrecimentos. Na segunda versão, ele sugeriu: “a la mierda” com toda essa palhaçada. Adivinhem o que escolhi.
Claro. Por um tempo, me senti persona non grata aqui no prédio. Mas os dias passaram e a fofoca deve ter sido substituída por outra. A vizinha do 6°, 4ª, que, antes nem olhava na minha cara, quando eu a cumprimentava no elevador, atualmente me dá 'bom dia', 'boa noite'. De vez em quando, até sorri.
Escrito por Juliana Vale às 02:52 PM
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Em
tempo: Quem ainda
não viu o filme Volver tem que
ir ver (ih, rimou!). Além da história – muito bem amarrada, com um roteiro
rocambolesco ao melhor estilo almodovariano, humor inteligente, personagens
cheios de paranóias e situações tragicômicas – Penélope Cruz, como protagonista,
está ótima e Lola Dueñas e Carmen Maura, impagáveis. Sabendo que opinião é que
nem bunda (cada um tem uma), passo ainda outros argumentos: Aqui na Espanha, o
filme foi visto por 1.840.000 pessoas e arrecadou quase 9,9 milhões de euros
(uns R$ 27,4 milhões). Em Cannes, ganhou o melhor roteiro e melhor interpretação
feminina. No Festival de San Sebastián, levou o Premio
Fipresci de melhor filme do ano (laurel disputado entre mais de 60 países).
Atualmente também está em cartaz em todas as capitais européias, na maioria dos
países da América Latina, nos EUA e, no fim do ano, estréia ainda no continente
asiático. |
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Escrito por Juliana Vale às 02:52 PM
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De volta
SETEMBRO E AS BOAS INTENÇÕES
Como diriam as funk divas do En Vogue, "Back to life, back to reality". 
Com nada mais nada menos que 667 novos e-mails na caixa postal do trabalho, encerro meus dias de bunda-lê-lê para retomar a vida severina. No intervalo da labuta, vim aqui contar que Barcelona - a segunda cidade mais linda do mundo - continua cheia de encanto, mas carece de pautas novas.
Me nego a etiquetar de “novidade” a gravidez da realeza espanhola (Doña Letizia - sim, ela mesma! A ex jornalista plebéia que se casou com o príncipe - espera seu segundo rebento. Com isso, reascende-se a polêmica sobre a reforma da Constituição, que atualmente privilegia o homem – e não a mulher – na linha de sucessão à coroa. Enfim. Aquele blablabla cansatiiiiiiiiiiiiivo de sempre). Como nem eu nem você nascemos com o sangue azul, nada disso afeta muito nossa humilde existência terrena. Pra quem vem pra cá ou vive aqui, o dia-a-dia tá feito mesmo com o típico panorama de setembro: O verão que vai acabando, o número de turistas que cai, as pessoas voltando a acordar cedo, a sofrer a espanholíssima síndrome pós vacacional (aliás, isso vale um futuro post!), as vitrines que começam a se encher de casacos e cachecóis e – claro – nossos bons e velhos planos de “trabalhar naquele projeto pessoal”, “ligar pros amigos sumidos”, “arrumar o armário”, “se livrar da pilha de papéis velhos ao lado do computador”, “dormir mais”, “aprender alguma coisa nova”, “não faltar à academia”... Todas essas belas promessas que, se não são postas em prática imediatamente, acabam engavetadas antes do fim de outubro :-)
Por hora, tô nadando em boas intenções. Aliás, vai ver, é por isso: Apesar dos escassos predicados culinários, prometi fazer um bolo de chocolate pra uma amiga querida que hoje sopra 33 velinhas. (segredo: Tô tensa. Bolo é difícil, né?! Porque não prometi a caipirinha?)
Escrito por Juliana Vale às 11:08 AM
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Recado
PAUSA PARA BALANÇO
E assim este blog entra oficialmente de férias por alguma semanas. Até setembro!

Escrito por Juliana Vale às 08:02 AM
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Você percebe que
OS BRASILEIROS INVADIRAM BARCELONA QUANDO...
1 – Na praia, diversas banhistas usam biquínis da Salinas ou similares.
2 – Nos quiosques da orla, o pessoal insiste em tocar Fernanda Porto, Sergio Mendes, Monica Nogueira, Marcos Valle, Bebel Gilberto e outros cantores brasileiros atualmente célebres na Europa com as coletâneas de músicas chill out.
3 – Em outro bar, não tão longe dali – e porque tem gosto pra tudo –, um grupo de conterrâneos concentra as atenções, tocando ao vivo: “Toooooda vez que chego em casa, a barata da vizinha está na minha cama... Ele vai dar uma chicotada na barata dela. Ele vai dar uma chicotada na baraaaaaata dela...”
4 – Num restaurante do centro, o cardápio apresenta uma lista interminável de sucos de frutas. Você comenta com a amiga: “Mas serão frutas naturais mesmo, ou sucos de garrafinha?”. A garçonete intercede em português, com um sotaque e um sorriso baianíssimo: “Não, minha linda! É fruta do pé! A gente faz tudo na hora!”.
5 – Na entrada do prédio, seu porteiro faz questão de te apresentar o vigia da garagem ao lado. “¡Mira! ¡Éste también es brasileño, como tú!” (Aliás, desde então – e porque temos a mesma procedência, ora, pipocas! – o sujeito se auto-intitulou meu amigo de fé, irmão camarada. Não consigo mais passar por Seu Ivan sem parar pra um dedinho de prosa. Todo dia tem um caso novo. E eu escuto a tudo atenta, como boa compatriota: “É mesmo? Noooossa!”. Ontem, por exemplo, apesar da (minha) pressa, fui brindada com mais informações: Seu Ivan tem uma sobrinha também chamada Juliana e, cada vez que ele volta ao Brasil, ela está maior (“Não me diga! Que coisa, né?!”)).
6 – No ônibus, seu celular toca e, só porque era uma amiga querida, ligando do Brasil (super triste porque acabou de terminar com o namorado), você engata uma conversa, apesar das pessoas ao redor. Fala como se estivesse em casa (“Afinal, português essa gente não entende mesmo”). Quando desliga é que percebe que o rapaz de óculos escuros e sandálias Havainas, na sua frente, não só não parou de prestar atenção, como achou que aquilo abriu precedentes. Falando na sua língua materna, manda: “Desculpe a intromissão, mas deu pra perceber que você é brasileira. Eu também (e abre aquele sorrisão orgulhoso). Então. Hoje à noite, vou botar um som aqui neste bar (e me entrega um flyer). Sempre vêm muitos brasileiros (outro sorriso enigmático). Começa às onze (faz uma longa pausa)... E eu saio às duas (com uma piscadinha infame!!!)”.
Escrito por Juliana Vale às 07:51 AM
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7 – Quando você diz que é brasileira, os espanhóis não ficam mais naquele antigo papo furado: “Êêêê... Brasil? Pelé! Caipirinha! Ronaldo!”. A maioria já esteve na Bahia, no Rio e até em Manaus, em muitos casos. Todos (e com isso não estou generalizando. Digo realmente TODOS) tem pelo menos um amigo brasileiro aqui na Espanha. Há quem saiba cantarolar trechos de músicas de MPB e – que singelo! – não são raros os que se atrevem com suas decoradas frases em português: “Tudo bem?”, “Que linda garota!”, “Obrigado”. E a melhor que já ouvi até hoje: “Não é mole, não!” ;-)
8 – No consulado do Brasil, você descobre que, agora, pra conseguir ser atendido, precisa de uma senha. (“Como? Senha? Que senha? Desde quando surgiu isso?”). Pelo telefone, uma gravação informa: o horário de atendimento ao público é de tal hora a tal hora. Se quiser falar com alguém lá dentro, é preciso ir pessoalmente – de manhã cedo!!! –, pegar seu número, esperar numa fila... E ser mais hábil que os outros mais de 3.000 brasileiros oficialmente registrados na cidade de Barcelona, segundo o Instituto Nacional de Estadística.
Como dado informativo: Somos a décima nacionalidade estrangeira mais numerosa de Barcelona. Uma das que mais cresce também. Segundo o departamento de estatística da prefeitura, o coletivo verde-e-amarelo simplesmente triplicou nos últimos cinco anos. E isso que a maioria dos conterrâneos está aqui ilegalmente - e, portanto, não sai nos cálculos oficiais.
Escrito por Juliana Vale às 07:43 AM
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Futilidade corriqueira
LEQUE: O ACESSÓRIO DO VERÃO

Sábado, 2:00 AM. Uma das discotecas mais modernas de Barcelona (dessas que acopla toda a trupe fashion victim da cidade).
Na pista de dança, você conta: um, dois, 10... 20 leques abanando na pista de dança. As espanholas empunham os “abanicos” (leques em espanhol) quase com orgulho, batendo o acessório contra o peito, com caras de femmes fatales.
Confesso que quando vi a mesma cena há cinco anos, no primeiro verão que passei aqui, achei estranho, feio. Considerava aquele leque uma coisa cafonérrima, démodé demais pra merecer ser público. Pensava “Só usaria tal troço dentro de casa, escondida no banheiro, com a luz apagada”.
Mas dizem que “o hábito faz o monge”, né?! Pois cá estou eu, aderindo ao ritmo local. Ganhei um leque numa festa de casamento (desses brindes úteis pra festa animada) e, desde então, ando exibindo meu mais novo acessório pela cidade. Me acho bárbara, abanando o lecão. Que nem uma daquelas senhoras decadentes, que um dia (no tempo em que o leque tinha seu prestígio reconhecido pelo mundo), fazia cara de cansada no meio do jet set europeu, hahahahahahahahahahahahaha
Escrito por Juliana Vale às 07:34 AM
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Registro
LUGAR ERRADO, HORA ERRADA
Parem o mundo que eu quero descer!
Minha cunhada estava no aeroporto de Heathrow esta manhã. Voltava pra casa com a American Airlines, num vôo (obviamente cancelado) Londres-Nova York. Será coincidência, mas adivinha onde ela estava em dezembro de 2004. Phuket! Acompanhou O tsunami ao vivo e a cores. Por sorte, do alto de uma montanha, pra onde foram vários turistas, quando o mar começou a recuar. E onde ela morava em julho de 2005? Londres. Bem perto de uma das estações onde aquelas bombas explodiram. Agora: hors concour – ganha uma bala quem acertar! Onde morava ela em setembro de 2001? Onde? Onde? Onde? Não era NY, mas tava pertinho. Philadelphia, EUA.
Soa a fatalismo, mas suo frio cada vez que rola uma coisa assim. Meus "seres queridos" sempre estão nesses hot spots do mundo. Quase perco o chão em outubro de 1999 - data do último terremoto forte (7.0) que sacudiu a Califórnia - e em 11 de março de 2004, quando aqueles trens viraram cinzas em Madri (me lembro até hoje do pânico: me arrumava pra ir trabalhar, de manhã, quando um repórter, de repente, parou o telediário pra dar a "notícia de última hora". O secador de cabelo caiu da mão. Os lábios ficaram pálidos. Tremendo, me atraquei ao telefone e só parei de chorar quando aquela voz querida, do outro lado da linha, me garantiu que estava longe dos atentados).
Por dios, s-o-c-o-r-r-o!!! Bate na madeira, toma banho de sal grosso, mata os gatos pretos... É o fim dos tempos.
Escrito por Juliana Vale às 05:58 PM
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Uma amiga chilena comenta que “de Rodríguez” no Chile chama-se “viúdo de verano” (viúvo de verão). A coisa, pelo visto, é internacional.
Cultura espanhola (de verão)
“DE RODRÍGUEZ”
Da série ‘cursinho básico de castellano callejero (castelhano da rua)'.
Entre as peculiaridades locais que costumam repetir-se em agosto, a expressão “estar de Rodríguez” ganha votos no quesito originalidade. Machista até a medula, o significado não deixa de ser bem engraçado – como a cultura espanhola em geral.
Os “Rodríguez” (em referência a um dos sobrenomes espanhóis mais comuns) encarnam o protótipo do homem casado que fica sozinho em casa, durante o verão, enquanto a esposa e os filhos viajam. Agora mesmo há muitos deles por aí...

Ia citar um exemplo real e perfeito, mas o protagonista me proibiu de usar a história dele (Deve achar que este blog tem uma audiência fantástica e que as abobrinhas aqui escritas podem virar manchete de jornal? Enfim. Cada um com suas paranóias). Me limito, portanto, à origem da história.
Reza a lenda que a tal expressão "de Rodríguez" surgiu nos anos de repressão total (no auge da Era Franquista, décadas de 60 e 70), quando os homens espanhóis pulavam a cerca durante os meses de julho e agosto. As senhoras de família – que, aquela altura, eram reprimidíssimas e tinham como ocupação máxima o lar, os filhos e o bem-estar do marido – iam pro interior, visitar a família, ou pra praia, fugir do calor.
Enquanto isso, o “chefe” da casa permanecia na cidade por causa do trabalho (ou simplesmente porque queria se ver longe dos parentes). E aproveitava a ocasião pra “conhecer melhor” as estrangeiras – especialmente as suecas –, que começavam a vir de férias pra Espanha.
Sabendo que “quem conta um conto aumenta um ponto”, não é difícil imaginar como a criatividade do macho ibérico gerou histórias mirabolantes e popularizou a expressão de Rodríguez. Matéria-prima mais que suculenta pra aqueles personagens de Almodóvar durante a movida madrileña, né não?!
Escrito por Juliana Vale às 07:48 AM
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Sucursal do inferno
MAIS QUENTE QUE SENEGAL
Nem na praia agüenta-se bem o calor. A água do mar está quente!!
Ideal? Ver o pôr do sol na areia.
Os quiosques de Bogatell e de La Mar bella botam música lounge e ficam animadíssimos. Se você consumir qualquer coisa pode ficar na zona das espreguiçadeiras - que, à noite, decora-se com simpáticas velas.

Depois das 20h, o clima é inigualável.
Escrito por Juliana Vale às 08:25 AM
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Retrato instantâneo
DIÁLOGO DE EXTREMOS
Almoço ontem com um amigo português que não tolera o verão. 38 graus à sombra.
João, suando em bicas: “O sol está sobrevalorado. Não sei por que as pessoas apreciam tanto isso”
Eu: “Ah, João, antes sentir calor que frio, né?!”
João, ainda suando: “Discordo. Tô com saudades do inverno. Quero menos 10 (graus) pra usar minhas luvas, pôr um cachecol, um gorro”
Eu: “Que horror! As pessoas ficam mais bonitas no verão. Olha ao seu redor”
João, imutável: “Ju, esqueceu que eu tava acostumado às raparigas de bigode, lá em Portugal?”
Escrito por Juliana Vale às 08:14 AM
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De compras
REBAJAS
Com esse calor de fritar ovo no asfalto, o programa é um ar-condicionado. Outro dia, depois de um café (gelado) com uma amiga, acabamos concordando em entrar numas lojas pra evitar morrer desidratada do lado de fora.

Erro Crasso, claro. Demos de cara com as rebajas (liquidações) de verão e a brincadeira se saldou com um desfalque na conta bancária.
Não que as rebajas em si sejam o problema. Ao contrário. Entre as maravilhas espanholas que mais me encantaram quando vim morar em Barcelona, essa ganhou destaque honoris causa porque não existe oportunidade melhor pra você comprar o que precisa. Mas o pretexto é também uma ocasião e tanto pra você se descobrir uma pessoa supérflua.
Os preços das coisas despencam. Jeans por 10€, sapatos por 20€, calcinhas por 2€ e por aí vai. Mesmo que, entre a oferta – variada e, nem sempre, de bom gosto – surjam peças execráveis, fuçar torna-se parte prazerosa do processo. E, sem se dar conta, a “vítima” se entrega à orgia consumista. Feliz.
Só quando você se vê saindo de uma loja, que nem uma muambeira na fronteira do Paraguai, é que cai a ficha: Sacolas demais, um monte quinquilharias, muita coisa completamente inútil... Que provavelmente nem vai caber no seu – já super-lotado – armário.
Outra modalidade do ar condicionado
Diferente do Rio de Janeiro, onde ar condicionado é tão ou mais importante que fogão e geladeira, aqui em Barcelona esse “objeto do desejo” ainda é considerado um eletrodoméstico de luxo.
Noite dessas, portanto, aderi ao slow food. Não importa a qualidade do vinho, da comida, nem o nível do serviço. O importante é comer beeeeeeem devagarzinho pra aproveitar o fresquito do restaurante. Tô quase convencendo o maître a me deixar dormir lá dentro.
Escrito por Juliana Vale às 08:08 AM
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Collage de fotos
TODO MUNDO DE FÉRIAS


Obrigada pelas imagens recebidas por e-mail :-)
A pedidos
CENSURADO (...)
Escrito por Juliana Vale às 08:09 AM
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De regresso à Barcelona
LAS VACACIONES DE VERANO
Nada mais espanhol que um mês inteiro pra não fazer nada. Agosto foi criado com esta finalidade.

É que, segundo a lógica local, quando os termômetros sobem muito, a produção cai e, se a produção cai, o melhor mesmo é tirar férias coletivas. Durante as famosas "vacaciones de verano", neguinho pára geral. A maioria das empresas fecha. Alguns jornais até deixam de circular e os canais de TV suspendem quase todos os programas ao vivo – incluindo grande parte dos noticiários. Os espanhóis simplesmente juntam os panos de bunda e somem, num êxodo em massa.
Nos bairros residenciais, 90% das janelas estão fechadas. As ruas, semi-desertas. Os porteiros desapareceram. E o comércio ostenta prosaicos cartazes do tipo “volto em setembro”. Alguns, escritos à mão, numa folha de caderno... Coisa, aliás, que sempre me fazia imaginar o autor do recado: Um senhor bigodudo (o típico “hombre ibérico” do nosso preconceituoso imaginário coletivo), que escreve correndo a mensagem enquanto a família inteira espera por ele dentro carro, berrando “¡Dale, papi! ¡Corre! ¡Corre!”.
E nós com isso?
Os estrangeiros pouco acostumados a essa inércia regulamentada ainda tentam se rebelar, no início. Uma amiga americana, quando desembarcou aqui, ano passado, nesta mesma época, tinha ataques histéricos cada vez que esquecia de abastecer a geladeira de casa. A única quitanda do bairro dela que não tinha aderido às férias de verão só funcionava entre 9h-13h30 e 18h-21h. A moça ficava passada: “Que absurdo! Uma cidade inteira que vegeta!”.
Outro amigo – este, brasileiro – quase quis ir embora da Espanha depois de pegar uma gripe descomunal e descobrir que as farmácias próximas não só não faziam entregas em domicílio como tampouco funcionavam aos domingos (e – lógico – também paravam das 14h às 17h).
Já no extremo oposto da questão, um amigo espanhol que esteve em Singapura há uns meses, voltou chocado pela falta de criatividade dos nativos de lá. Ele aterrisou num domingo e não entendeu nada quando viu as pessoas entrando e saindo das lojas. Quando comentou com a anfitriã que, na Espanha, a lei proíbe os estabelecimentos comerciais de abrirem domingos e feriados (com raríssimas exceções), a singapurense, chocada, quis saber: ‘mas, então, o que vocês fazem no domingo?’.
Ai, ai, ai. Diferenças culturais... Essa alegre lição!
Escrito por Juliana Vale às 11:49 AM
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Mais do mesmo
E O CAMPEÃO É...

Jurei que não ia escrever mais NADA de futebol, copa do mundo, etc. Afinal, este blog é sobre Barcelona. Mas o destino quis que o desfecho do mundial fosse um irônico confronto França X Itália.
Já vi esse filme antes. No final do campeonato europeu de 2000, morava na França e me lembro até hoje daquele gol no último minuto. Aliás, uma das histórias mais tocantes que já escutei na vida foi a de um amigo italiano que também morava em Paris e assistiu ao jogo com toda a trupe francesa, crente que ele seria o único a celebrar no final.
Como já sabemos, a Itália perdeu e meu amigo obviamente não ficou pra festa. Quando caminhava de volta pra casa, sozinho, se sentindo o cara mais solitário do planeta, um menininho francês aparece numa janela e grita pra ele: “Monsieur, monsieur, nous sommes champions!”. Nessa hora, rolou uma lágrima.
Desta vez, vou lembrar do mesmo amigo. Aliás, vou estar com ele, quando a Itália e a França se enfrentarem, de novo. É que ele se casa neste fim-de-semana... Com uma noiva FRANCESA!!!
A festa deles é no sábado, numa cidadezinha bucólica da Umbria. Todos os cento e tantos convidados dormiremos por lá, depois de comer, beber, dançar... De ressaca ou não, no domingo, estaremos invariavelmente juntos, concentrados no mesmo hotel, em frente à mesma tela de TV. Só que metade da torcida será italiana e outra metade, francesa.
Estou achando que isso vai ser divertidíssimo!
Escrito por Juliana Vale às 10:36 AM
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Mais do mesmo
CONTRADIÇÃO
Nada mais terminar o jogo Espanha X França, o que se ouviu aqui em Barcelona foram rojões, fogos de artifício.
Contraditório? Nem tanto, se você já leva alguns anos metido na cultura local. Explicação óbvia: Eram os catalães, recalcados, comemorando a derrota do que eles acreditam ser o oposto à cultura catalã. Dá pra crer? Falta de sentido patriótico, não?
Bom, menos mal pra nós, brasileiros residentes por estas bandas. No sábado, vamos querer mesmo contar com os vizinhos que têm camisetas verde-e-amarela, torcendo pela gente. Brasil-il-il-il-il

Escrito por Juliana Vale às 06:59 AM
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Mais mundial 2006
COPA INTERNACIONAL
Ok. O tema deste blog NÃO é futebol. Mas estamos vivendo um momento especial. Não dá pra evitar os posts relacionados à bola.

Aqui em Barcelona, pra onde você olha, vê bandeiras e camisas de outras nacionalidades. Como esta é uma cidade habitada por muitos forasteiros (quase 20% dos residentes vieram de outras latitudes, segundo o Departament d'Estadística da prefeitura), as marcas deles estão por todas partes.
De modo geral, há grupos claramente simpáticos e outros, nem tanto. Os italianos são fanfarrões e gostam de se exibir, mas se limitam ao momento do jogo. Os ingleses só estão preocupados em beber. Torcer pra eles é puro pretexto. Os holandeses acham tudo ótimo. Se perdem, têm sempre a chance de rir disso (adoro esse povo!). Os portugueses, como sempre, sofrem calados. Os equatorianos, depois de serem eliminados, trocaram de camisa sem maiores traumas. Bastou tirar o azul do uniforme e já estão torcendo pela Espanha, felizes e contentes. Agora: tem um povo que não dá: os argentinos. Tão beirando o insuportável com essa mania de contar vantagem em tudo. Precisam ser tão chatos?
Semana passada, fui a uma festa e me apresentaram um típico porteño (de Buenos Aires). Quando o sujeito descobriu que eu era brasileira, não descolou mais. Eu ia pegar uma bebida, vinha ele. Eu ia pra varanda... E adivinha. Tava vendo a hora que ele ia querer entrar no banheiro comigo. Como não era uma pessoa exatamente interessante, resolveu investir no papo futebolístico. Só que parecia um disco arranhado: “Che, si Argentina le gana a Brasil en la final, la cosa se va a poner fea, pero que muy fea en tu país, blablabla”. Dá pra agüentar um personagem desses?
O pior é que eles – os argentinos – são vários, espalhados pelas ruas. Além do sotaque carregado, andam uniformizados dos pés à cabeça. Impossível não notá-los.
Com o êxodo em massa que a crise de 2002 provocou lá na terra deles, vários vieram pra cá. E aqui siguem. Hoje estão entre os coletivos de imigrantes mais numerosos de Barcelona – cerca de 4% do total de estrangeiros. Nada menos que 13.500 deles estão registrados aqui (fora aqueles que estão ilegais e os diversos outros que têm nacionalidades européias, por isso, não entram nas estatísticas oficiais).
Descontando meus amigos (que, sim, são muito simpáticos), o resto... Sei não. Chatos até dizer chega. Em época de copa do mundo, então. Socorro!
Nunca torci tanto pra Alemanha. Que mandem logo esses “pelotudos” de volta pra casa!
Escrito por Juliana Vale às 07:31 AM
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Em tempo... De copa do mundo
Aqui na Espanha, as beldades da bola também estão arrastando a mulherada pra frente da TV, durante os jogos da copa. Pudera. Cada vez, há mais jogadores se revezando entre os gramados e os editoriais de moda. Isso é o que eu chamo de diversidade profissional :-)
Eis aqui uma listinha de quem poderia torcer o joelho e, ainda assim, continuar ganhando a vida graças ao preparo físico.
Escrito por Juliana Vale às 07:25 AM
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Fora de Barcelona
SAN JOAN VIKING

Este ano, não presenciei a noitada de San Joan em Barcelona (leia mais sobre essa festa no post do ano passado – abaixo). Fui comemorar o solstício de verão com os nórdicos.
Como tive que ir fazer uma reportagem na Suécia, aproveitei pra pegar um dia de folga e emendar o trabalho com o lazer. Incentivada por uma amiga que mora em Gotemburgo há anos, resolvi ficar pro Midsommar (“meio do verão”) sueco – a festa deles que também celebra o dia mais longo do calendário.
Recomendo o programa a todos que gostam de dar risada. A ocasião é tão importante como o natal, por exemplo. Só que tem outro espírito, muito mais divertido. Costuma ser festejada fora da cidade – ao ar livre, de preferência – e tem direito a danças, jogos (como o “kubb” no gramado), muuuita comida e ainda mais bebida.
I-m-p-r-e-s-s-i-o-n-a-n-t-e como os suecos bebem!!!
Participei de uma festa animadíssima, que incluiu até uma sauna na beira do lago, à noite, depois de um churrasco ultra zoneado. Adoraria contar os detalhes do evento, mas vou ter que censurar as histórias. Afinal, os personagens têm um nome a zelar (né, Jörn?!).
Só posso adiantar que, depois de tanta social, adquiri vocabulário mais que suficiente pra assegurar a vida social na Suécia: "snaps" (espécie de vodka local, em diversos sabores), "skål" (pronuncia-se “skol”, como a cerveja brasileira, significa “tim-tim”) e "tack" (obrigada).
Aliás, tack så mycket, pessoal.
Escrito por Juliana Vale às 09:59 PM
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Chegou o verão
"OOOOOLHA A MACONHA!"

Primeiro foram os refrigerantes e as cervejas. Depois, os salgadinhos. No ano passado, biquínis, cangas, relógios, bijuteria, massagens e tatuagens de henna. Agora, o negócio da venda ambulante nas praias barcelonesas – por lei, proibido – fez um upgrade para o haxixe.
Dezenas de imigrantes (paquistaneses e indianos principalmente) que vendem bebidas e comida na areia oferecem também “chocolate” aos banhistas. A mercadoria é vendida em pedras, a partir de 10 euros e o processo de venda é engraçado.
Os vendedores – conhecidos aqui como “lateros” – não oferecem os artigos abertamente. Eles primeiro selecionam o target (normalmente jovens e, de preferência, em grupo). Se aproximam discretamente como um ambulante qualquer. Depois de oferecer os refrigerantes e as cervejas de rigor, soltam: “¿Algo más? También tengo otras cosas". Se o cliente se mostra interessado, continuam sem rodeios: “¡Chocolate!”.
Uma vez iniciada a transação, o cara se agacha, dá aquela olhada ao redor e se lança num regateio, cheios de sorrisos maliciosos e conversa fiada. Quem compra também não parece estar exatamente preocupado com o público.
A verdade é que, em Barcelona – especialmente nas praias de Barceloneta e Sant Sebastià – é bastante comum ver gente fumando ou apertando um baseado. A venda é que, até agora, não parecia estar tão sistematizada. Mas, como diria um gringo brancão que também acompanhava a cena, "It’s like in Amsterdan!".
Escrito por Juliana Vale às 08:53 AM
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Mundial 2006
EM TEMPO
A Furia continua sua escalada. O jogo de ontem foi animadíssimo. O povo está insano!!!
Escrito por Juliana Vale às 08:52 AM
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Copa do Mundo 2006
A “FURIA” SURGE DO NADA

Escrito por Juliana Vale às 11:32 AM
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De repente, a Copa virou o assunto de destaque das primeiras páginas nos jornais espanhóis, ganhou as mesas de bar e até as paradas de ônibus daqui. O clima ficou extremamente futebolístico desde ontem. NINGUÉM esperava uma vitória no placar – mesmo contra a Ucrânia. E eis que, assim, do nada, a “Furia Roja” (como é chamada a seleção espanhola) marcou q-u-a-t-r-o gols, sem tomar nem uma bola na rede.
O inesperado resultado fez brotar um sentimento de orgulho e patriotismo que andava adormecido por estas bandas. Entre os comentaristas esportivos e os torcedores mais deslumbrados, depois dessa performance fantástica, os espanhóis estariam inclusive cotados pra fazer frente a Ronaldo, Ronaldinho, Robinho, Kaká e companhia, num possível confronto nas quartas-de-final. (E isso que eles jamais superaram essa fase numa Copa do Mundo)!
Mais de 10 milhões de euros
Só pra dar uma idéia do otimismo reinante, o site de apostas Betfair.com registrou um movimento de mais de 10 milhões de euros (quase 29 milhões de reais), durante os 90 minutos de jogo Espanha X Ucrânia, ontem à tarde.
Já em outro endereço de internet do mesmo gênero, Miapuesta.com, a Espanha escalou umas quantas posições no ranking dos favoritos para levar a taça. Agora está em quinto lugar – o que, até ontem de manhã, se consideraria uma inocente disposição para ver as coisas pelo lado bom.
Atualmente as apostas se pagam assim:
Brasil 3,50 €/€
Inglaterra 7 €/€
Argentina 8 €/€
Alemanha 9 €/€
Espanha 10 €/€
Itália 11 €/€
Holanda 15 €/€
França 17 €/€
Escrito por Juliana Vale às 11:12 AM
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ADENO EXPLICATIVO
Por mais animados que sejam os torcedores espanhóis, eles não chegam aos pés dos brasileiros. Afoitos e ufanistas - e empunhando de corneta a fogos de artifício -, meus compatriotas nem discutem a liderança do verde-e-amarelo nesse mundial. Me dá a impressão, às vezes, de que a nossa seleção já ganhou o hexa... Apesar da bolinha magra que jogou contra a Croácia, na partida de estréia.
Como diria um amigo catalão, "isso é ser brasileiro". O resto é o resto.
Escrito por Juliana Vale às 11:10 AM
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Não morreu, não
Coitado deste blog. Tão abandonado...
Mas voltarei!
Escrito por Juliana Vale às 04:29 PM
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Combate Barça X Madrid
O ESPÏRITO CULÉ

Quando entrei no táxi e disse que ia pro Camp Nou, o motorista fez questão de confirmar “¿¡El campo del Barça?!”
Eu: “Sim”
Ele: “Mas, a esta hora (eram 18h40), tá fechado pra visita”.
Eu (já resignada com essa mania fofoqueira-de-ser dos espanhóis): “Não vou lá pra visitar, não. Vou a trabalho”.
50 segundos de silêncio tenso... Até que o pobre homem não agüentou a pressão da curiosidade: “Mas você trabalha no Camp Nou?”
Eu: “Não. Sou jornalista. Vou lá pra entrevistar um jogador”.
Ele (já sem se preocupar pela indiscrição): “Qual???”
Eu via pelo retrovisor que a cara do sujeito era a de um menino, com os olhos arregalados, cheio de curiosidade e interesse.
Eu: “Deco. Conhece?”
Ele: “¡No me jodas! (o equivalente a um “fala sério” brasileiro). ¡Qué chulo! (que maneiro)”
Escrito por Juliana Vale às 08:36 PM
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Assenti com a cabeça, já que, a esta altura, a função do retrovisor tinha passado a ser a de facilitar a nossa comunicação.
O homem ficou entusiasmadíssimo. Resulta que era um culé (torcedor do Barcelona) inveterado – como é a maioria da população local. E, na presença de alguém que, em teoria, tinha uma ligação relevante com o clube, ele quis expor toda sua vasta sapiência sobre meus compatriotas que jogam aqui, na terra dele.
Pra sintetizar o papo e apertar o passo – porque eu tava um pouco atrasada –, resolvi explicar a ele que era hora do rush e, se fosse possível, era melhor evitar as ruas mais trafegadas.
A esta altura, como já éramos praticamente amigos de infância, o duble de Ayrton Sena ultrapassou carros, fez manobras radicais e me deixou na porta do clube em menos de cinco minutos. Ele estava tão orgulhoso de ter sido “útil”, que ainda saiu do táxi para me abrir a porta. Quase fiquei com medo. Mas aí vi a cara de menino outra vez e entendi que era pura paixão futebolística. Aquele bom homem só estava satisfeito por ter contribuído para que a entrevista do ídolo Deco não fosse prejudicada. Achei singelo.
Tanto, aliás, que a matéria que eu estava fazendo (para a BBC Brasil) – a princípio, só de futebol mesmo – acabou abrangendo umas considerações mais culturais. Inclui o “clima” de combate Barcelona X Madrid que está no ar. Para os curiosos, o texto está aqui.
Escrito por Juliana Vale às 08:36 PM
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Exportando metodologia social
O BRASIL BEM NA FITA
A rapper brasileira Nega Gizza veio à Barcelona para participar do festival Hipnotik. Deu uma palestra sobre 'El hip hop como transformador social'. Entrevistei a moça pro Periódico de Catalunya. Falando da sua história pessoal e do trabalho dela na CUFA (Central Única das favelas), Gizza foi o personagem da semana na "contra" (última página) do jornal, sábado passado:
Escrito por Juliana Vale às 01:58 PM
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Escrito por Juliana Vale às 01:46 PM
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A fauna humana
ENQUANTO ISSO EM BARCELONA...
O blog andou abandonado. Falta de tempo. Mas passo alguns links que tão na linha do Ciudadana Mundana (coisas que acontecem na Espanha contadas do ponto de vista desta jornalista brasileira que vos escreve):
A indústria pornô está de fiesta - Todo mundo é bem-vindo ao “templo do erotismo”, como os organizadores gostam de apelidar o Festival Internacional de Cine Erótico de Barcelona (FICEB). O evento, já legendário por estas bandas, é um encontro anual promovido pelos empresários da indústria pornô, que atrai profissionais de todo canto e curiosos de vários tipos. Neste ano, recebeu mais de 52 mil visitantes ávidos por escandalizar-se com a orgia coletiva.

Durante cinco dias consecutivos, num bairro fora do centro de Barcelona, o público se aglomera entre um batalhão de jornalistas (espanhóis e de outros países), mais de 70 estandes e 17 palcos com espetáculos de strip-tease e sexo ao vivo. Qualquer semelhança entre o FICEB e um festival de cinema convencional é mera casualidade...Para ler mais, clique aqui>
Os solteiros se confessam orgulhosos - Barcelona celebrou a condição de solteiro com uma feira peculiar: “Salón Singles”. Há oferta para todos os gostos. As pessoas que se declaram “sem par” são mais a cada dia que passa, especialmente aqui na Europa.

Elas já têm à disposição serviços sob medida – como viagens temáticas ou cuidados pessoais diferenciado. Dividem-se entre os que estão à caça de um chinelo velho para o seu pé cansado e os que são solteiros por convicção. Mas coincidem em manias e teorias. Depois de muito tempo sem conviver com um parceiro estável, surgem personagens curiosos, que confessam comportamentos insólitos... Para ler mais, clique aqui>
Escrito por Juliana Vale às 06:23 PM
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De volta das férias em breve!
Escrito por Juliana Vale às 08:03 AM
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Os gays espanhóis
QUEM VÊ CARA NÃO VÊ CORAÇÃO
Ligue a televisão aqui na Espanha, hoje, e você vai pensar que este é um país tolerante. Os principais seriados de TV estão cheios de personagens gays em papéis de destaque.

Em um dos mais populares - “Aqui no hay quien viva” (Antena 3, às quartas-feiras) -, Mauri é um dos vizinhos do prédio-título. Homossexual declarado e aceito, ele já trocou de namorado várias vezes, tem um filho com uma amiga lésbica (Bea) e ainda tentou adotar outra criança com seu atual noivo (Fernando). Apelativo? Descabelado? O programa tem uma audiência altíssima: 6.909.000 de espectadores, 37% de share no horário nobre.

Caso parecido ao de “Hospital Central” (Tele 5, às terças-feiras): A enfermeira Esthe mudou de time, depois de tomar diversos pés na bunda dos rapazes. Quando conheceu a médica Maca, passou a formar com ela o casal mais apaixonado do seriado, com direito a muitos beijos, carícias, presentinhos e olhares 43. Não são raros os diálogos do tipo “estou louca pra te levar pra casa”, “você me deixa maluca”, ou cenas em que elas escrevem bilhetinhos privados que são rasgados imediatamente depois de lidos pra não "chocar" os demais.

Na comédia semanal “7 vidas” (Tele 5, aos domingos), idem. Diana é uma engraçada atriz de quinta categoria que também se rendeu aos encantos femininos depois de algumas desventuras amorosas. Qualquer mulher gostosona que participa na trama (sempre há convidados especiais), ele tenta seduzir. Com algumas, é bem sucedida e, em várias cenas, rolam situações explícitas, como outro dia: foi flagrada por uma vizinha com um pote de chantili na mão e o corpo todo besuntado. De calcinha e sutiã, Diana ia até a cozinha buscar mais creme, enquanto a outra moça, gritava por ela, dentro do quarto.
E há ainda outras figuras da TV que não interpretam personagens. São autenticamente gays e tratam disso sem dramas, ao vivo e a cores. Como Jesús Vázquez. Assumidamente gay desde alguns anos, ele apresenta programas de alta audiência como a nova versão de “Operación Triunfo” (que deu origem ao “Fama” no Brasil) ou o concurso diário “Allá tú”, além de outros do mesmo gênero. O cara é super boa pinta, do tipo que deixaria aquelas deusas de pedigree encantadas. Mas ele prefere os homens. E é um "bom partido", olha só. Tem um o namorado, há anos, com o qual pretende casar-se em breve.

Além dele, outro "apresentador" – este, menos sério – Boris Izaguirre, também aparece diariamente num dos programas mais assistidos aqui atualmente (“Crônicas Marcianas”, Tele 5). O tom é outro, já que se trata de uma espécie de circo-ao-vivo, que convida os pseudo-famosos pra descascar as misérias humanas em público. Boris escracha: comenta sem pelos na língua como alguns corpos masculinos são “suculentos”; fica de cueca (ou sem ela) sempre que pega uma câmera desprevenida e ainda assedia descaradamente todos os convidados minimamente atrativos.
Neste mesmo programa, aliás, uma participante de Gran Hermano (o “Big Brother” espanhol) assumiu sua homossexualidade ao vivo e, meses depois, apresentou – também pras câmeras, em tempo real – a namorada. SIGUE>>>
Escrito por Juliana Vale às 01:16 PM
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Mas há controvérsias
Apesar de sobrarem exemplos televisivos, o certo é que tudo isso (último post) não é exatamente a realidade dos mortais “de a pé” – Don Manolo, Dueña María e todas essas pessoas cotidianas que você encontra no sofá do consultório médico, dentro do ônibus, na banca de jornal, na padaria...
O espanhol típico (identificado mundo afora como “homem ibérico”) ainda é um tipo machista e ligado às tradições católicas. É daqueles que engrossam a voz em nome da “honra e dos bons costumes”. Mas que, na calada da noite, escapam de casa pra fazer uma festinha no puticlub (bar de prostitutas), sem nenhum problema moral. De modo geral, ainda prevalecem os fofoqueiros, os conservadores, os culpados, os reprimidos.
Sem cifras oficiais, estima-se que entre 6% e 8% dos espanhóis sejam homossexuais. Homens ou mulheres. Inspirada neles, é que surgiu esta produção cultural que aborda o universo gay sem tabus (haja vista toda a filmografia de Almodóvar e os best sellers de Lucía Etxebarría, pra citar uma pequena parte da cultura espanhola que chega ao Brasil).
Mas isso não é a regra. A Espanha ainda tá caminhando. E falta bastante. Por hora, só a “vitrine” se renovou. Aliás, é por isso, que você que veio à Barcelona – ou a Madri – e foi aos bares descolados, se juntou ao top less na praia e passeou pelas ruas badaladas, entre casaizinhos do mesmo sexo de mãos dadas, ficou com a impressão de que este é um país super “pra frentex”.
Venha passar mais tempo aqui. Experimente ir a um boteco afastado da zona turística e beijar uma pessoa do mesmo sexo no meio dos velhinhos que jogam baralho na mesa ao lado. Ou vá à reunião de pais e mestres na escola do seu filho acompanhada de uma mulher e apresente-a aos demais como “minha namorada”. Senão, outra: quando for alugar um apartamento, leve seu parceiro – do mesmo sexo, naturalmente – e explique ao proprietário que vocês são pessoas normais, que não vão converter a casa em um "local bacanalesco", que tudo isso é só fantasia desbaratinada do (recalcado) imaginário coletivo.
Um presidente inovador
Aí você se espanta: “Ué! Mas o presidente do governo espanhol, Zapatero, até legalizou o casamento gay e aprovou a adoção de crianças por pais do mesmo sexo!”. Sim. Também é verdade.
Zapatero está mudando velhos costumes, com a intenção de passar à história como o presidente mais moderno e politicamente correto que existiu no país. Ele criou os "divórcios rápidos" (que cancelam o matrimônio sem a exigência de um ano de separação oficial), as custódias compartilhadas (o pai com quase tantos direitos como a mãe) e tribunais especiais dedicados exclusivamente às causas de maus tratos contra as mulheres. Além disso, regularizou 700.000 imigrantes ilegais, suspendeu a obrigatoriedade do catolicismo nas escolas, preencheu metade dos cargos ministeriais com mulheres (coisa inédita), inventou uma lei que, em teoria, obriga aos maridos a ajudar nas tarefas domésticas e ainda está levantando a maior polêmica na questão do terrorismo. Por primeira vez na história, cogita-se pactuar com ETA (a banda armada separatista do País Basco).
Grande exemplo, não?! Sim (também). Mas os espanhóis ainda não aderiram ao novo modelo social. O país aqui ainda alimenta aquele ranço “católico, apostólico, romano” nas entranhas. As novas leis de Zapatero não contam com a aprovação da ‘Espanha profunda’ (à qual pertencem os tais “homens ibéricos” e suas mulheres igualmente tradicionais). Prova disso são as manifestações populares, que têm levado pra rua milhares de pessoas insatisfeitas como essa “indecência moral”, essa “afronta à família e ao casamento” (casamento tradicional, esqueceram de dizer).
Apesar dos vários espanhóis e espanholas antenados, que promovem o multiculturalismo e a evolução dos valores sociais, se a Espanha fosse um quadro, ainda teria destacada aquela família, de pé, ao lado do patriarca, sério e de bigode.
Escrito por Juliana Vale às 01:07 PM
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Amor desinteressado
CORAZÓN LATINO

Os informes do Instituto Nacional de Estatística, aqui na Espanha, são sempre divertidos. Por exemplo, o item “matrimônios”, divulgado esta semana:
Em 2004, mais gente se casou e, entre os noivos(as), havia mais estrangeiros(as). Até aí, nenhuma surpresa. Sendo este um país de imigrantes, normal que muitos deles passem pelo altar pra conseguir sua permissão de residência (de 2001 para cá, os casamentos “mistos” dobraram).
O curioso é que a modalidade mais freqüente é a de marido espanhol com esposa forasteira (13.459, em 2004). E adivinha que nacionalidades vão ganhando o páreo:
As colombianas em primeiro lugar (3.005). Equatorianas em segundo (1.082) e – quem? quem? quem? – brasileiras (880), em terceiro.
E isso que nós não estamos nem entre as 10 nacionalidades mais numerosas na Espanha.
Escrito por Juliana Vale às 01:04 PM
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Reveillon local
HOJE É FESTA!
A noite de 23 pra 24 de junho, aqui em Barcelona, é sinônimo de fogueiras, fogos de artifício, comida, bebida e festa até o sol nascer (na praia, preferencialmente). Pra traçar um paralelo, poderíamos dizer que é um “reveillon fora de época".
Como participar? Fácil, muito fácil. Basta sair de casa e seguir a multidão. Impossível não descobrir onde rola o babado. Quatro recomendações básicas pra você parecer mais enturmado:
1 – Garanta sua garrafa de cava (o champanhe catalão). Serve sangría também. O importante é estar abastecido. Véspera de Sant Joan (em catalão – ou São João, em português), o pessoal amanhã não trabalha e aproveita hoje pra festejar “a noite mais curta do ano”.
2 – Escolha uma fogueira. Há várias, espalhadas pela cidade. Especialmente nas praias. É uma tradição que se repete há mais de cinco milhões de anos, por causa do “solstício de verão” - quando o sol tá no ponto mais alto da sua trajetória. A mística das fogueiras tem a ver com o poder do fogo, blá, blá, blá. Mas o que realmente importa é saber que você vai ter que saltar uma hoje. Os catalães dizem que “qui encén foc per Sant Joan no es crema en tot l'any” (quem acende fogo em São João não se queima durante todo o ano). E outra: os casais que saltam sete vezes, juntos, permanecem felizes para o resto da vida. E lá vai um bando de gente queimando a bunda pelo caminho.
3 – Prepare-se para se molhar um pouco. Ou muito? Entre as várias crenças populares relacionadas com esta noite, também se acredita que hoje a água tem “virtudes curativas”. Muita gente costuma ir até o mar molhar os pés. Já outras, mergulham de cabeça, rolam na areia como um bife à milanesa noturno. Enfim. Fica a critério do freguês.
4 – Um pacotinho de fogos de artifício não estaria mal pra completar o pacote. É o som da festa, que tem cheiro de pólvora. As crianças vão de estalinhos e coisas amenas. Os mais preparados já montam um espetáculo pirotécnico. Lembra o ano novo de Copacabana, só que não há tanta contagem regressiva pra meia-noite. A expectativa que nós, brasileiros, guardamos para a virada do ano, eles aqui diluem na noite inteira. Quando você sair pra festa – ao ar-livre sempre (em casa não vale!) –, já pode começar a celebrar.
Como dizem por aqui, “nit de Sant Joan, nit d'amoretes” (Noite de São João, noite de amores). Então? Tá esperando o que? Outra destas só no ano que vem!
Escrito por Juliana Vale às 09:11 AM
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Música eletrônica e vanguarda
COMEÇOU O SÓNAR 2005
Ontem foi o primeiro dia e o já tava lo-ta-do. Quando o festival abriu as portas, quase todos os ingressos já tinham sido vendidos. Só sobravam entradas para os shows de sábado à noite (lá onde Judas perdeu as botas). Mesmo assim, antes de acabar o Sónar diurno de ontem, esgotou tudo. Agora, só no mercado negro.
Pra quem curte, acho até que vale a pena. Tava animado.
 
O que mais se escuta? Inglês. Como tem gringo! Oficialmente, quase metade do público vem de fora da Espanha e a maioria deles é britânica.
O que mais se vê? Óculos escuros tipo mosca na cara e sandália Havaiana (com bandeirinha do Brasil) no pé.

Os artistas brasileiros deste ano foram Kassin do Artificial, Maurício Takara e o sexteto do Hurtmold. Se apresentaram no Sónar Dome, cenário montado embaixo de uma carpa, ao lado do Museu de Arte Moderna e do Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona. Um calor impressionante. Mesmo assim, a platéia compareceu feliz. Todo mundo sentado no chão verde (uma espécie de tapete sintético), enrolando seu baseado.

Este ano, o Brasil é um dos países convidados, junto com a Finlândia e o Japão. Mas a galera que tava lá ontem, assistindo nossos conterrâneos não tinha a menor idéia de quem eram aqueles caras no palco. Tavam lá porque fazia parte do pacote.
De qualquer forma, parece que gostaram.

Escrito por Juliana Vale às 08:55 AM
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