Recado

PAUSA PARA BALANÇO

 

E assim este blog entra oficialmente de férias por alguma semanas. Até setembro!

 



 Escrito por Juliana Vale às 08:02 AM
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Você percebe que

OS BRASILEIROS INVADIRAM BARCELONA QUANDO...

 

1 – Na praia, diversas banhistas usam biquínis da Salinas ou similares.

 

2 – Nos quiosques da orla, o pessoal insiste em tocar Fernanda Porto, Sergio Mendes, Monica Nogueira, Marcos Valle, Bebel Gilberto e outros cantores brasileiros atualmente célebres na Europa com as coletâneas de músicas chill out.

 

3 – Em outro bar, não tão longe dali – e porque tem gosto pra tudo –, um grupo de conterrâneos concentra as atenções, tocando ao vivo: “Toooooda vez que chego em casa, a barata da vizinha está na minha cama... Ele vai dar uma chicotada na barata dela. Ele vai dar uma chicotada na baraaaaaata dela...”

 

4 – Num restaurante do centro, o cardápio apresenta uma lista interminável de sucos de frutas. Você comenta com a amiga: “Mas serão frutas naturais mesmo, ou sucos de garrafinha?”. A garçonete intercede em português, com um sotaque e um sorriso baianíssimo: “Não, minha linda! É fruta do pé! A gente faz tudo na hora!”.

 

5 – Na entrada do prédio, seu porteiro faz questão de te apresentar o vigia da garagem ao lado. “¡Mira! ¡Éste también es brasileño, como tú!” (Aliás, desde então – e porque temos a mesma procedência, ora, pipocas! – o sujeito se auto-intitulou meu amigo de fé, irmão camarada. Não consigo mais passar por Seu Ivan sem parar pra um dedinho de prosa. Todo dia tem um caso novo. E eu escuto a tudo atenta, como boa compatriota: “É mesmo? Noooossa!”. Ontem, por exemplo, apesar da (minha) pressa, fui brindada com mais informações: Seu Ivan tem uma sobrinha também chamada Juliana e, cada vez que ele volta ao Brasil, ela está maior (“Não me diga! Que coisa, né?!”)).

 

6 – No ônibus, seu celular toca e, só porque era uma amiga querida, ligando do Brasil (super triste porque acabou de terminar com o namorado), você engata uma conversa, apesar das pessoas ao redor. Fala como se estivesse em casa (“Afinal, português essa gente não entende mesmo”). Quando desliga é que percebe que o rapaz de óculos escuros e sandálias Havainas, na sua frente, não só não parou de prestar atenção, como achou que aquilo abriu precedentes. Falando na sua língua materna, manda: “Desculpe a intromissão, mas deu pra perceber que você é brasileira. Eu também (e abre aquele sorrisão orgulhoso). Então. Hoje à noite, vou botar um som aqui neste bar (e me entrega um flyer). Sempre vêm muitos brasileiros (outro sorriso enigmático). Começa às onze (faz uma longa pausa)... E eu saio às duas (com uma piscadinha infame!!!)”.



 Escrito por Juliana Vale às 07:51 AM
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7 – Quando você diz que é brasileira, os espanhóis não ficam mais naquele antigo papo furado: “Êêêê... Brasil? Pelé! Caipirinha! Ronaldo!”. A maioria já esteve na Bahia, no Rio e até em Manaus, em muitos casos. Todos (e com isso não estou generalizando. Digo realmente TODOS) tem pelo menos um amigo brasileiro aqui na Espanha. Há quem saiba cantarolar trechos de músicas de MPB e – que singelo! – não são raros os que se atrevem com suas decoradas frases em português: “Tudo bem?”, “Que linda garota!”, “Obrigado”. E a melhor que já ouvi até hoje: “Não é mole, não!” ;-)

 

8 – No consulado do Brasil, você descobre que, agora, pra conseguir ser atendido, precisa de uma senha. (“Como? Senha? Que senha? Desde quando surgiu isso?”). Pelo telefone, uma gravação informa: o horário de atendimento ao público é de tal hora a tal hora. Se quiser falar com alguém lá dentro, é preciso ir pessoalmente – de manhã cedo!!! –, pegar seu número, esperar numa fila... E ser mais hábil que os outros mais de 3.000 brasileiros oficialmente registrados na cidade de Barcelona, segundo o Instituto Nacional de Estadística.

 

Como dado informativo: Somos a décima nacionalidade estrangeira mais numerosa de Barcelona. Uma das que mais cresce também. Segundo o departamento de estatística da prefeitura, o coletivo verde-e-amarelo simplesmente triplicou nos últimos cinco anos. E isso que a maioria dos conterrâneos está aqui ilegalmente - e, portanto, não sai nos cálculos oficiais.



 Escrito por Juliana Vale às 07:43 AM
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Futilidade corriqueira

LEQUE: O ACESSÓRIO DO VERÃO

 

 

Sábado, 2:00 AM. Uma das discotecas mais modernas de Barcelona (dessas que acopla toda a trupe fashion victim da cidade).

 

Na pista de dança, você conta: um, dois, 10... 20 leques abanando na pista de dança. As espanholas empunham os “abanicos” (leques em espanhol) quase com orgulho, batendo o acessório contra o peito, com caras de femmes fatales.

 

Confesso que quando vi a mesma cena há cinco anos, no primeiro verão que passei aqui, achei estranho, feio. Considerava aquele leque uma coisa cafonérrima, démodé demais pra merecer ser público. Pensava “Só usaria tal troço dentro de casa, escondida no banheiro, com a luz apagada”.

 

Mas dizem que “o hábito faz o monge”, né?! Pois cá estou eu, aderindo ao ritmo local. Ganhei um leque numa festa de casamento (desses brindes úteis pra festa animada) e, desde então, ando exibindo meu mais novo acessório pela cidade. Me acho bárbara, abanando o lecão. Que nem uma daquelas senhoras decadentes, que um dia (no tempo em que o leque tinha seu prestígio reconhecido pelo mundo), fazia cara de cansada no meio do jet set europeu, hahahahahahahahahahahahaha



 Escrito por Juliana Vale às 07:34 AM
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Registro

LUGAR ERRADO, HORA ERRADA

 

Parem o mundo que eu quero descer!

 

Minha cunhada estava no aeroporto de Heathrow esta manhã. Voltava pra casa com a American Airlines, num vôo (obviamente cancelado) Londres-Nova York. Será coincidência, mas adivinha onde ela estava em dezembro de 2004. Phuket! Acompanhou O tsunami ao vivo e a cores. Por sorte, do alto de uma montanha, pra onde foram vários turistas, quando o mar começou a recuar. E onde ela morava em julho de 2005? Londres. Bem perto de uma das estações onde aquelas bombas explodiram. Agora: hors concour – ganha uma bala quem acertar! Onde morava ela em setembro de 2001? Onde? Onde? Onde? Não era NY, mas tava pertinho. Philadelphia, EUA.

 

Soa a fatalismo, mas suo frio cada vez que rola uma coisa assim. Meus "seres queridos" sempre estão nesses hot spots do mundo. Quase perco o chão em outubro de 1999 - data do último terremoto forte (7.0) que sacudiu a Califórnia - e em 11 de março de 2004, quando aqueles trens viraram cinzas em Madri (me lembro até hoje do pânico: me arrumava pra ir trabalhar, de manhã, quando um repórter, de repente, parou o telediário pra dar a "notícia de última hora". O secador de cabelo caiu da mão. Os lábios ficaram pálidos. Tremendo, me atraquei ao telefone e só parei de chorar quando aquela voz querida, do outro lado da linha, me garantiu que estava longe dos atentados).

 

Por dios, s-o-c-o-r-r-o!!! Bate na madeira, toma banho de sal grosso, mata os gatos pretos... É o fim dos tempos.



 Escrito por Juliana Vale às 05:58 PM
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Uma amiga chilena comenta que “de Rodríguez” no Chile chama-se “viúdo de verano” (viúvo de verão). A coisa, pelo visto, é internacional.


 

Cultura espanhola (de verão)

DE RODRÍGUEZ

 

Da série ‘cursinho básico de castellano callejero (castelhano da rua)'.

 

Entre as peculiaridades locais que costumam repetir-se em agosto, a expressão “estar de Rodríguez” ganha votos no quesito originalidade. Machista até a medula, o significado não deixa de ser bem engraçado – como a cultura espanhola em geral.

 

Os “Rodríguez” (em referência a um dos sobrenomes espanhóis mais comuns) encarnam o protótipo do homem casado que fica sozinho em casa, durante o verão, enquanto a esposa e os filhos viajam. Agora mesmo há muitos deles por aí...

 

 

Ia citar um exemplo real e perfeito, mas o protagonista me proibiu de usar a história dele (Deve achar que este blog tem uma audiência fantástica e que as abobrinhas aqui escritas podem virar manchete de jornal? Enfim. Cada um com suas paranóias). Me limito, portanto, à origem da história. 

 

Reza a lenda que a tal expressão "de Rodríguez" surgiu nos anos de repressão total (no auge da Era Franquista, décadas de 60 e 70), quando os homens espanhóis pulavam a cerca durante os meses de julho e agosto. As senhoras de família – que, aquela altura, eram reprimidíssimas e tinham como ocupação máxima o lar, os filhos e o bem-estar do marido – iam pro interior, visitar a família, ou pra praia, fugir do calor.

 

Enquanto isso, o “chefe” da casa permanecia na cidade por causa do trabalho (ou simplesmente porque queria se ver longe dos parentes). E aproveitava a ocasião pra “conhecer melhor” as estrangeiras – especialmente as suecas –, que começavam a vir de férias pra Espanha.

 

Sabendo que “quem conta um conto aumenta um ponto”, não é difícil imaginar como a criatividade do macho ibérico gerou histórias mirabolantes e popularizou a expressão de Rodríguez. Matéria-prima mais que suculenta pra aqueles personagens de Almodóvar durante a movida madrileña, né não?!



 Escrito por Juliana Vale às 07:48 AM
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Sucursal do inferno

MAIS QUENTE QUE SENEGAL

 

Nem na praia agüenta-se bem o calor. A água do mar está quente!!

 

Ideal? Ver o pôr do sol na areia.

 

Os quiosques de Bogatell e de La Mar bella botam música lounge e ficam animadíssimos. Se você consumir qualquer coisa pode ficar na zona das espreguiçadeiras - que, à noite, decora-se com simpáticas velas.

 

 

Depois das 20h, o clima é inigualável.



 Escrito por Juliana Vale às 08:25 AM
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Retrato instantâneo

DIÁLOGO DE EXTREMOS

 

Almoço ontem com um amigo português que não tolera o verão. 38 graus à sombra.

 

João, suando em bicas: “O sol está sobrevalorado. Não sei por que as pessoas apreciam tanto isso”

 

Eu: “Ah, João, antes sentir calor que frio, né?!”

 

João, ainda suando: “Discordo. Tô com saudades do inverno. Quero menos 10 (graus) pra usar minhas luvas, pôr um cachecol, um gorro”

 

Eu: “Que horror! As pessoas ficam mais bonitas no verão. Olha ao seu redor”

 

João, imutável: “Ju, esqueceu que eu tava acostumado às raparigas de bigode, lá em Portugal?”



 Escrito por Juliana Vale às 08:14 AM
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De compras

REBAJAS

 

Com esse calor de fritar ovo no asfalto, o programa é um ar-condicionado. Outro dia, depois de um café (gelado) com uma amiga, acabamos concordando em entrar numas lojas pra evitar morrer desidratada do lado de fora. 

 

 

Erro Crasso, claro. Demos de cara com as rebajas (liquidações) de verão e a brincadeira se saldou com um desfalque na conta bancária.

 

Não que as rebajas em si sejam o problema. Ao contrário. Entre as maravilhas espanholas que mais me encantaram quando vim morar em Barcelona, essa ganhou destaque honoris causa porque não existe oportunidade melhor pra você comprar o que precisa. Mas o pretexto é também uma ocasião e tanto pra você se descobrir uma pessoa supérflua.

 

Os preços das coisas despencam. Jeans por 10€, sapatos por 20€, calcinhas por 2€ e por aí vai. Mesmo que, entre a oferta – variada e, nem sempre, de bom gosto – surjam peças execráveis, fuçar torna-se parte prazerosa do processo. E, sem se dar conta, a “vítima” se entrega à orgia consumista. Feliz.

 

Só quando você se vê saindo de uma loja, que nem uma muambeira na fronteira do Paraguai, é que cai a ficha: Sacolas demais, um monte quinquilharias, muita coisa completamente inútil... Que provavelmente nem vai caber no seu – já super-lotado – armário.

 

Outra modalidade do ar condicionado

 

Diferente do Rio de Janeiro, onde ar condicionado é tão ou mais importante que fogão e geladeira, aqui em Barcelona esse “objeto do desejo” ainda é considerado um eletrodoméstico de luxo.

 

Noite dessas, portanto, aderi ao slow food. Não importa a qualidade do vinho, da comida, nem o nível do serviço. O importante é comer beeeeeeem devagarzinho pra aproveitar o fresquito do restaurante. Tô quase convencendo o maître a me deixar dormir lá dentro.



 Escrito por Juliana Vale às 08:08 AM
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Juliana Vale: jornalista, brasileira. Morou por 6 anos em Barcelona, colaborando com jornais e revistas, tanto da Espanha como do Brasil. Atualmente está em Pequim, na China


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